Neto, da Chape, só não ficou paraplégico porque foi salvo por uma placa de 48 milímetros

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O zagueiro Neto, zagueiro da Chapecoense e sobrevivente da tragédia que matou 71 pessoas no dia 29/11, foi salvo por uma placa de titânio, de 48 milímetros de altura, e 4 de espessura, do enorme risco de ficar paraplégico. O objeto, que permaneceu intacto após o trágico acidente de avião da madrugada de 29 de novembro, serviu de proteção ao jogador brasileiro. Como? É o que vai saber a seguir.

A placa foi colocada no corpo do jogador no dia 23 de maio, para fixar uma hérnia cervical traumática provocada por um golpe em suas costas no dia 24 de fevereiro, na vitória por 3 a 0 sobre o Metropolitano.

O médico da Chapecoense, Marcos André Sonagli, que operou Neto em maio e viajou à Colômbia para auxiliar no tratamento dos sobreviventes brasileiros da tragédia – além de Neto, o goleiro Follmann, o lateral Alan Ruschel e o jornalista Rafael Henzel. Uma de suas principais preocupações era avaliar o impacto da queda no local daquele procedimento.

Neto recentemente voltou a jogar no início de outubro. No choque com o atacante Matheus, Neto teve lesões entre a quarta e a quinta vértebras, e também entre a quinta e a sexta. Elas causaram uma hérnia cervical traumática, que, por sua vez, estava comprimindo a medula espinhal do jogador.

O departamento médico tentou o tratamento convencional, por se tratar de uma região delicada para ser operada. A compressão constante da medula, entretanto, poderia acarretar consequências ainda mais graves, e no dia 23 de maio Neto foi à mesa de cirurgia para fixar essa lesão com uma placa bloqueada de titânio.

A fragilidade que ocasionou essa paralisia no campo de jogo é fruto, segundo Sonagli, de uma discopatia degenerativa, ou, num termo mais coloquial, envelhecimento das costas, causado por fatores como tabagismo, obesidade, falta de atividade física, além de aspectos genéticos. Naquela noite, Neto deixou o gramado da Arena Condá de maca, diante dos olhares dos pais na arquibancada, e no dia do aniversário de seus filhos gêmeos, Helen e Helano.

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Na noite desta quinta-feira, com pouso previsto para as 21 horas, Neto será o último dos seis sobreviventes do voo a voltar para casa. Chegará ao hospital em Chapecó num estado clínico surpreendentemente positivo para quem foi encontrado com vida quase oito horas depois do acidente, em meio a destroços de avião. E com perspectivas futuras favoráveis. Graças à minúscula placa de titânio que habita suas costas desde maio.

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